MATERIALIZAÇÃO DO BISPO DE SÃO PAULO

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O presente relato, compilado por Jorge Rizzini em seu livro Allan Kardec, Irmãs Fox e Outros, apresenta a ata de uma das inumeráveis sessões realizadas por Carmílio Mirabelli. Essas sessões mediúnicas, registradas em atas, foram assinadas por personalidades cultas e idôneas, várias delas conhecidas no cenário público nacional e internacional. A fenomenologia ectoplásmica de Mirabelli era, em verdade, no dizer de Rizzini, uma gritante prova da imortalidade da alma e da sua comunicabilidade com o mundo físico, pois os efeitos físicos por ele produzidos ocorriam em plena luz do dia, dispensando a penumbra, sendo observados por mais de quinhentas pessoas de elevado nível cultural, entre elas 72 médicos e 105 estrangeiros.

Ainda segundo Rizzini, que também é pesquisador criterioso e conhecido em nosso movimento e fora dele, foi o médium mais completo em todo o mundo e de todos os tempos. Ele foi telepata; clarividente; médium de precognição; retrocognição; médium musical (em transe tocava piano e violino e cantava com voz de tenor, barítono e baixo, várias árias em vários idiomas); médium pintor (deixou trezentas telas mediúnicas; cinqüenta foram expostas na Holanda pelo pesquisador holandês H. Theunisse); médium psicofônico (em transe falava vinte e seis idiomas!); e foi psicógrafo insuperável (psicografava em vinte e oito línguas, vivas e mortas, entre as quais o russo, grego, chinês, catalão, japonês, latim, aramaico, hieróglifos, caldeu, persa, árabe, etc., e enquanto o fazia conversava, animadamente, em outra língua!). Possuía ainda três outras modalidades mediúnicas, nele, também, poderosas, na área dos fenômenos objetivos: a materialização, a desmaterialização e a levitação; fenômenos raros na bibliografia espírita mundial, metapsíquica e parapsicológica.

Tudo isso são fatos. Detalhe importante é que o próprio médium sempre era o primeiro a se colocar à disposição para toda e qualquer pesquisa científica, tendo até criado várias instituições no Rio de Janeiro e em São Paulo para o exame de sua fenomelogia mediúnica, como a Academia Brasileira de Metapsíquica, o Centro de Estudos Psíquicos César Lombroso e o Instituto Psíquico Brasileiro.

ATA DE UMA SESSÃO DE EFEITOS FÍSICOS OCORRIDA EM SANTOS(Sessão ocorrida na cidade de Santos, estando presentes médicos e oficiais da Força Pública de São Paulo. Essas sessões foram realizadas às nove horas da manhã e em plena luz, quando o médium acomodava-se em uma poltrona e, à sua volta, sentavam-se os pesquisadores)

O médium, novamente indisposto (registra a ata) declara estar vendo no espaço o corpo do conhecido bispo D. José de Camargo Barros, falecido no naufrágio do vapor “Sírio”, o que faz todos voltarem ao silêncio, sendo tomadas as precauções regulamentares. E vai-se prolongando a expectativa, quando um suavíssimo perfume de rosas se torna sensível em toda a sala. O médium empalidece, e cai na poltrona, sendo logo seguro pelos Srs. Ataliba de O. Aranha e Odassio Sampaio.

Sobre uma poltrona é divisada uma tênue nevoazinha, qual vagas espirais de fumaça, sobre a qual desde então convergem todos os olhares. A névoa a princípio divisada, e sobre a qual pairam todas as atenções, condensa-se, e repentinamente torna-se em espessa e rutilante fumaça amarelo-ouro, brilhante, qual uma auréola dourada, a qual vai-se desfazendo, lentamente, a minutos contados, e dela vai emergindo, sentada, uma figura de prelado, sorridente, com o barrete episcopal, e demais insígnias de sua dignidade, e diz, em voz alta e a todos inteligível, ser o conhecido prelado acima referido, e levanta-se da poltrona. Nem mais vestígios restavam de nebulosidades ou irradiações, e se não fora unânime o testemunho geral, cada qual estaria propenso a crer ter sido vítima de uma ilusão. O ambiente, agora mais aclimatado, nada demonstrava da presença de um ser de origem indefinível; um estranho que entrasse naquele instante, sem prevenção, nada de anormal perceberia.

Ainda uma vez o Dr. Ganimedes de Souza se levanta, agora já sem hesitações, dá alguns passos, pára, e encara de frente o misterioso recém-vindo. Este, sempre sorridente, nada diz e também fita aquele investigador, que, depois de alguma hesitação se lhe aproxima, toca-o, palpa-o demoradamente, sente-lhe o hálito, bate-lhe nos dentes, fá-lo abrir a boca, para verificar a existência de saliva, e toca com o dedo no palato, ausculta-lhe o coração e o ritmo respiratório, ajoelha, encosta os ouvidos ao ventre do pretendido prelado, e demoradamente ausculta-lhe os borborismos produzidos pelos intestinos, examina-lhe as unhas e o globo ocular, detendo-se na constatação da rede capilar dos vasos de irrigação sanguínea de sua parte interna, e por fim recua um passo, e novamente o encara, como que mal resignado a uma verdade difícil de aceitar, e então, cabisbaixo e pensativo, volta ao seu lugar. Era bem um homem que ali estava.

Outros seguem o exemplo do Dr. Ganimedes, e a todos o misterioso visitante se presta docilmente, e todos voltam certos de não serem vítimas de um ludíbrio, mas de estarem tratando com um ser humano, anatomicamente perfeito. Depois de estarem todos convictos, um sentimento de espanto infinito, estupefação indescritível se expressou em todas as fisionomias. Falou então o misterioso visitante em português absolutamente correto, e em belo estilo, sobre vários assuntos. Depois de finalizar a sua peroração, acrescenta: “Observai a minha retirada”, e então encaminhou-se para o lado da poltrona em que o médium se achava, sempre seguro e em transe, no que foi acompanhado por todos os presentes que se tinham levantado, para de perto apreciarem e controlarem o ponto principal da experiência: a desmaterialização. Chegado junto do médium, que continuava inconsciente, inclinou-se sobre o mesmo, pousou-lhe as mãos, e ficou algum tempo em silêncio, fitando-o. Os assistentes cercavam-no de todos os lados. Repentinamente o corpo do estranho visitante foi sacudido por alguns estremecimentos violentos, e começou a encolher, a contrair-se, a diminuir. O médium, sempre seguro, começou a suar frio e a estertorar ruidosamente.

A aparição, ou como quiserem chamar-lhe, diminuiu até ter a altura de 30 centímetros, mais ou menos, e de repente, com uma rapidez de que nenhuma palavra pode dar idéia, desapareceu. Novamente o cheiro de rosas, suave e muito sensível, se faz sentir, e o médium desperta, ficando longamente em estado de semi-inconsciência, alheio a tudo.

CONCLUSÃO

É imprescindível destacar que o excerto acima foi compilado por Jorge Rizzini do livro Prodígios da Biopsíquica obtidos com o Médium Mirabelli, publicado pelo advogado, escritor e deputado Eurico de Góes (organizador e primeiro diretor da Biblioteca Municipal de São Paulo), cujo valor maior está no fato de reproduzir em suas 471 páginas as atas das sessões do médium, rubricadas por importantes personalidades. A obra resultou de uma pesquisa de mais de vinte anos em torno dos fenômenos medianímicos de Mirabelli.

Os espíritos se materializam para que os encarnados se desmaterializem, espiritualizando-se
Fonte: saindodamatrix.com.br

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